Amigo
E viro-me, e vejo cor.
Vejo-te, vejo luz e calor.
Vejo o mundo num instante,
Um sorriso reconfortante.
E a vida muda.
A mudança perdura.
É evidente e radiante.
Tal astro que ilumina a noite,
O negro e o breu cura.
E toca-me, relaxa-me.
Estende-me o braço
Sustenta-me como alicerce.
A base é segura…
É confiança pura!
E carinhos, e ternuras.
E desejos, e segredos.
E uma palavra no fim,
Porque a amizade, é um bem.
E o amigo, um tesouro.
Que vence batalhas com palavras.
Que conquista com atitudes.
E que me entende,
Como se fosse eu, na mais pura forma.
Estevão M. Rodrigues
Águas Turvas
E as águas turvas
Humedecem o meu
coração.
Revoltam o meu
espírito.
Enegrecem minh ‘alma.
O olhar apaga e
condensa,
A vida muda, cala-se.
E ouve-se um canto.
Escuta-se um gemido.
Ossos partem, roem,
estalam.
E a sinfonia da dor
começa.
Mas a cura depressa
chega.
Tu, aura luminosa,
Aqueces o meu gélido
ser.
E algo tão jovem como
o início
Rompe e nasce para
viver.
Viver intensamente.
Acreditar fortemente.
Amar
incondicionalmente.
Levantar o véu que
cega,
Irromper o silêncio
que ensurdece
E calar a maldita
boca,
Aquela que nos afaste
de nós
Para nos aglomerar
Ao que não devemos
ser.
Estevão M. Rodrigues
Alma Lusitana
A Alma lusitana
É livre por natureza.
Espírito que não
dorme,
E vive com eterna
grandeza.
Não pode ser domada.
Não pode ser
acorrentada.
Vive no sopro do
coração
Português, rebelde e
orgulhoso.
A origem é a nação
Construída sobre um
passado doloroso.
E que honra é a de
possuir
Tamanha alma e valor.
Poder lutar, sonhar,
sorrir
E morrer, conhecendo o
amor.
E depois repetir tudo
isto
De geração em geração.
Ver o que já se tinha
visto
E sentir de novo a
paixão.
E mudar, e gritar, e
ser.
Existir para
demonstrar
O orgulho de ser
Português
E tamanha alma
lusitana possuir!
Estevão M. Rodrigues´
CULMINAR DA FRUSTRAÇÃO
Passeando pela névoa escura e fria,
Não noto o porquê da sua espessura.
A luz dos candeeiros distingue-se vagamente, o sol
esconde-se.
As nuvens cinzentas vagueiam sem rumo
Procurando, se calhar, o significado de todo aquele dia.
E, com ímpeto, escondem o sol.
Saudades do calor, saudades da luz quente.
E, no entanto, não consigo achar a razão de tudo isto!
Será que há para aí alguém zangado com o mundo?
Nem eu desejava estes dias. A chuva não toca o chão.
Porém, a claridade diminui, as nuvens quase parem gotas
de água.
E, de repente, numa sinfonia de alto som
Vê-se primeiro o raio, ouve-se depois o barulho
ensurdecedor.
E, contudo, a terra permanece seca.
A chuva não se arrisca a invadir o solo.
Que frustração! Que culminar desse sentimento!
Grito e imploro aos céus que me expliquem tudo isto.
E, obviamente, eles não respondem.
E como um ignorante, eu espero.
Estevão M. Rodrigues
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